segunda-feira, abril 21, 2008

Icebergs, Neve e Muitos Pinguins – As razões do Ano Polar Internacional

Comunicação do Dr. José Xavier proferida no âmbito do ciclo de Conferências “Na fronteira da Ciência” da Fundação Calouste Gulbenkian .

O problema das alterações climáticas é, como todos sabemos, de âmbito global sendo, porém, nas latitudes extremas , como no Árctico e na Antárctida, que mais se fazem sentir os seus efeitos sendo por isso as regiões polares de extrema importância na análise dos impactos deste problema.
A Antárctida foi-nos apresentada por este investigador como um continente com área semelhante à da Europa sendo que no Inverno pode duplicar a sua superfície devido ao congelamento da superfície do Oceano Antárctico. Segundo José Xavier, os pólos são regiões extremamente sensíveis do ponto de vista biológico e ecológico que desempenham diversas funções de regulação como por exemplo: regulação dos níveis de CO2 na atmosfera e regulação do nível médio das águas do mar.
Os impactos são de tal modo notórios e a sensibilidade de tal modo evidente que se pode falar em comunidades que funcionam como bio-indicadoras das alterações climáticas. Por estranho que pareça não estamos a falar de organismos com baixo nível na cadeia alimentar mas sim de predadores de topo, como é o caso dos albatrozes.
José Xavier apresentou dois gráficos referindo-se ao comportamento à procura de alimento e ao sucesso reprodutivo dos albatrozes, durante a sua época de reprodução. Em anos normais, os albatrozes reproduzem-se com elevadas taxas de sucesso e apresentam-se pouco dispersos, alimentam-se em regiões próximas da sua colónia (2-3 dias (Figura 1).


Quando as variações de temperatura são acentuadas estamos perante anos anormais (Figura 2). Nestes anos os albatrozes apresentam-se muito dispersos, alimentam-se em regiões longe da colónia (cerca de 15 dias) e o sucesso reprodutivo é baixa já que a taxa de mortalidade das crias é alta (Figura 3).

António Grilo, Filipa Louro, Marta Magalhães da Silva, Pedro Silva.
Trabalho apresentado no âmbito dos Jovens Repórteres para o Ambiente

Ano Polar Internacional – API – Objectivos e papel de Portugal.

Há cinquenta anos que não se realizava um Ano Polar Internacional – API. O último tinha sido realizado em 1957/58, e julgou-se agora que era de extrema importância regressar a esta temática. Pela primeira vez na sua história Portugal ao API, que se iniciou em Março de 2007 e vai até Março 2009.

Com uma História intimamente ligada com a exploração polar com navegadores como João Corte-Real ou Fernão de Magalhães, Portugal pretende agora efectivar o seu contributo no âmbito da preservação, ciência, educação e investigação polares.

Um dos tópicos no topo da agenda política portuguesa para este ano, está a ratificação do Tratado da Antártida que reserva este continente à ciência e à paz. Como principais objectivos do nosso país neste API destacam-se:
· Fortalecimento e melhoria dos estudos portugueses no âmbito da ciência polar;
· Execução de trabalhos científicos de excelência;
· Investigação em novas metodologias e técnicas de investigação;
· Investimento na nova geração de cientistas polares;
· Criação de condições para um Plano Polar Português.

No âmbito da participação portuguesa estão envolvidos 15 cientistas de 9 Universidades e Laboratórios de investigação; 7 projectos chave (de entre 200 a nível mundial); 10 projectos paralelos e 400 professores de 200 escolas, reunindo milhares de estudantes.


FONTE: Xavier, J; Icebergs, Neve e Muitos Pinguins – As razões do Ano Polar Internacional – Comunicação apresentada no ciclo de conferências “Na fronteira da ciência” da Fundação Calouste Gulbenkian.

António Grilo, Filipa Louro, Marta Magalhães da Silva, Pedro Silva.

Trabalho apresentado no âmbito dos Jovens Repórteres para o Ambiente.